Escolhendo um Telescópio

Introdução

O telescópio é um dispositivo usado para ampliar objetos distantes. Há muitos tipos entre os quais você pode escolher, assim como muitos preços a se considerar. Neste artigo será apresentado algumas informações sobre o funcionamento dos telescópios para ajudá-lo(a) na sua escolha.

Um telescópio é um equipamento incrível que tem a capacidade de fazer com que objetos distantes pareçam muito mais próximos. É possível encontrá-los em diversos formatos e tamanhos, de pequenos e baratos até enormes e caríssimos como o telescópio Espacial Hubble, que pesa várias toneladas e custa milhões de dólares. Telescópios amadores são um meio termo e mesmo que não sejam nem de longe tão poderosos quanto o Hubble, também conseguem realizar coisas incríveis.

A maioria dos telescópios encontrados é de dois tipos:

Ambos fazem exatamente a mesma coisa, mas de maneiras completamente diferentes.

Um telescópio possui dois pontos principais:

A capacidade que um telescópio tem de captar a luz está diretamente relacionada ao diâmetro da lente ou do espelho – a abertura – que é usada para captar a luz. Geralmente, quanto maior a abertura, mais luz o telescópio capta e traz para o foco, deixando a imagem final mais brilhante.

O poder de ampliação do telescópio, sua capacidade de aumentar uma imagem, depende da combinação de lentes utilizada. A ocular é que realiza essa ampliação.


 

Tipos de telescópios

Refratores

Hans Lippershey, de Middleburg, na Holanda, recebeu os créditos por inventar o telescópio refrator em 1608, mas os militares foram os primeiros a utilizarem-no. Galileu foi o primeiro a utilizá-lo para astronomia. Mas os projetos de Lippershey e de Galileu usavam uma combinação de lentes convexas e côncavas. Por volta de 1611, Kepler melhorou o projeto para acomodar duas lentes convexas, o que inverteu a imagem. O projeto de Kepler ainda é utilizado em refratores atualmente, embora tenham sido feitas umas poucas melhorias nas lentes e no vidro utilizados.

Os refratores são o tipo de telescópio que a maioria de nós conhece. Eles são compostos pelas seguintes partes:

Telescópio Refrator

O tubo mantém as lentes no lugar a uma distância correta uma da outra. O tubo também ajuda a evitar a poeira, umidade e luz que poderiam interferir na formação de uma boa imagem. A objetiva capta a luz e a desvia ou refrata para um foco próximo à parte traseira do tubo. A ocular é responsável por trazer a imagem até seu olho e ampliá-la.

Refletores

Por volta de 1680, Isaac Newton desenvolveu o telescópio refletor, como uma maneira de consertar o problema da aberração cromática que atingia os refratores de sua época. Em vez de usar uma lente para captar luz, ele usou um espelho de metal curvo (espelho primário) para captar essa luz e refleti-la para o foco. Espelhos não têm problemas de aberração cromática como as lentes. Então, Newton colocou o espelho primário na parte traseira do tubo.

Como o espelho refletia a luz de volta para o tubo, ele teve de usar um espelho pequeno e plano (espelho secundário) no caminho do foco do espelho primário para deflectir a imagem pela lateral do tubo até a ocular (se não fizesse isso, sua própria cabeça ficaria no caminho da luz incidente). Outro detalhe: você pode imaginar que o espelho secundário poderia bloquear uma parte da imagem, mas, como ele é muito pequeno em comparação com o espelho primário, que já está captando bastante luz, o espelho menor acaba não bloqueando nem um pouco da imagem.

Em 1722, John Hadley desenvolveu um projeto que usava espelhos parabólicos e também houve várias melhoras na produção de espelhos. O refletor newtoniano foi um projeto de muito sucesso e permanece até hoje como um dos projetos de telescópios mais populares.

Telescópio Refletor

Catadióptricos ou compostos

Os telescópios compostos ou catadióptricos são telescópios híbridos que têm tanto elementos refratores, como refletores em seu design. O primeiro desses telescópios foi criado pelo astronômo alemão Bernhard Schmidt, em 1930. O telescópio de Schmidt tinha um espelho primário na parte traseira e uma placa corretora de vidro na parte frontal para remover a aberração esférica. Ele foi usado primeiro para a fotografia, por não ter espelho secundário ou oculares. No lugar deles, o filme fotográfico era colocado no foco principal do espelho primário. Atualmente, o design Schmidt-Cassegrain, inventado nos anos 60, é o tipo mais popular de telescópio. Ele usa um espelho secundário que rebate a luz por um buraco no espelho primário até chegar à ocular.

Telescópio Cassegrain

O segundo tipo de telescópio composto foi inventado por um astrônomo russo chamado D. Maksutov, muito embora um astrônomo holandês, A. Bouwers, tenha criado um design semelhante antes disso (em 1941). O telescópio de Maksutov é semelhante ao design de Schmidt, mas usa uma lente corretora mais esférica. O design Maksutov-Cassegrain é semelhante ao de Schmidt-Cassegrain.


 

Montagens de telescópios

Os telescópios devem ser apoiados por algum tipo de montagem para que você não tenha que ficar segurando-os o tempo todo. A montagem do telescópio permite que você:

Há dois tipos básicos de montagens:

Montagem Azimutal

Montagem Equatorial


 

O que consiguerei ver?

Os telescópios podem deixar o céu noturno mais próximo e torná-lo menos misterioso e não é necessário ter o telescópio mais poderoso que existe para ver detalhes incríveis no céu. No entanto, descobrir o que você gostaria de ver é a coisa mais importante a decidir antes de saber qual telescópio deve comprar. Estes são alguns dos objetos celestiais que você pode querer ver:

Nota: Muitos astrônomos de primeira viagem vêem, em revistas, as fotos do Hubble ou de outros telescópios grandes de observatórios e acham que vão ter imagens com essa qualidade nos telescópios que compraram. E, quando isso não acontece, simplesmente perdem a vontade de observar. Por isso, é bom ter em mente que você não comprou o Hubble, mas isso não significa que as imagens que pode ver não vão lhe deixar maravilhado.

Lua

A Lua é o objeto mais claro que podemos ver à noite no céu. Ela é grande, brilhante e bem fácil de se encontrar. Como a luz dela muda a cada dia junto à mudança de suas fases é possível ter uma visão diferente de suas características a cada dia. A Lua lhe dá a oportunidade de ver várias coisas e nem é preciso um telescópio gigantesco para revelar as características dela. Se você tiver binóculos ou um telescópio pequeno, refrator de 50 mm ou um refletor de 100 mm, vai conseguir ver:

Foto: Lua

É fácil encontrar mapas ou imagens da Lua, quer seja online ou em periódicos e livros, para lhe ajudar a identificar o que está vendo. Um telescópio com abertura grande (de 15 a 25 cm) vai revelar closes de várias características da Lua. É possível, usando suas próprias observações ou outras imagens, medir a altura das montanhas lunares.

Ao contrário do que todos pensam, o melhor momento para se observar a Lua não é durante a lua cheia, mas sim entre a lua minguante e a lua crescente, pois é aí que o Sol a ilumina em ângulo e dá um bom alívio de olho. Algumas vezes, ajuda bastante usar um filtro lunar para melhorar o contraste das imagens e realçar os detalhes. Além do mais, se a luz for brilhante demais e você tiver um telescópio refletor é possível reduzir a quantidade de luz e aumentar o contraste se colocar sua mão, com os dedos separados, na frente do tubo do telescópio.

Normalmente, vale a pena observar a Lua durante um eclipse lunar, pois é possível ver a sombra da Terra se movendo vagarosamente pela superfície dela.

Por último, vale lembrar que a Lua também é um grande alvo para a astrofotografia. É possível fotografar a Lua usando uma lente de telefoto ou prendendo a câmera em seu telescópio.

Planetas

A visão que você vai ter dos planetas usando um telescópio é bem satisfatória e vai lhe deixar com um gostinho de "quero mais". Também é possível observar planetas de áreas urbanas, onde pode haver níveis de poluição moderados ou significativos. Com um telescópio pequeno (refrator de 60 mm ou refletor de 100 mm), pode-se ver alguns detalhes das superfícies dos planetas, mas um telescópio maior (refrator de 75 a 100 mm ou refletor de 150 a 250 mm) irá revelar mais detalhes ainda. Os refratores costumam proporcionar imagens mais nítidas dos planetas, mas não têm a mesma capacidade de captar luz dos refletores. Independentemente do tipo de telescópio que você estiver usando, observar os planetas requer boas condições de visão (atmosfera seca com poucas ou nenhuma nuvem), e você deve resfriar seu telescópio até atingir a temperatura ambiente, 30 min antes de começar a observar. Resfriar o telescópio reduz as correntes de ar dentro do tubo que fazem com que as imagens fiquem embaçadas e confusas.

Foto: Júpiter

Esse é o tamanho aproximado da imagem de Júpiter em um telescópio

Objetos no espaço profundo (DSOs)

Objetos no espaço profundo incluem estrelas múltiplas, estrelas variáveis, agrupamentos de estrelas, nebulosas e galáxias. Um catálogo com mais de 100 DSOs que podem ser vistos com um telescópio pequeno foi compilado por Charles Messier no século XVIII. Esses objetos catalogados por Messier recebem nomes que têm um M maiúsculo seguido por um número (por exemplo, M31, M41). Infelizmente, eles costumam ser manchas vagas e embaçadas de luz em qualquer telescópio que você tentar usar. O segredo para observá-los é fazer isso em um céu negro (com pouca ou nenhuma poluição luminosa) e um telescópio grande (abertura maior de 15 cm). No entanto, alguns DSOs podem ser vistos em telescópios pequenos. Uma dica é usar filtros para poluição luminosa para melhorar a visão de alguns deles.

Agrupamentos de Estrelas

Os agrupamentos estelares são associações de milhares de estrelas ou mais. Eles podem ser agrupamentos abertos ou globulares e oferecem vistas espetaculares mesmo em um telescópio pequeno. Um exemplo são as Plêiades, na constelação de Touro. As Plêiades têm sete estrelas brilhantes que podem ser vistas a olho nu, mas quando são vistas com um telescópio pequeno, você acaba vendo milhares.

Foto: As Plêiades


 

Que tipo de telescópio devo comprar?

O tipo de telescópio de que você precisa depende do tipo de observação que você quer fazer. Muitos astrônomos amadores possuem mais de um telescópio, cada um especializado em um tipo diferente de observação. Se você está só começando, pode querer um modelo versátil que funcione para atividades diferentes. A verdade é que cada tipo possui vantagens e desvantagens no que diz respeito à qualidade óptica, desempenho mecânico, manutenção, facilidade de uso e preço. Geralmente, os refratores são melhores para observar os planetas e a Lua, ao passo que os refletores são melhores com os objetos no espaço profundo. Já os telescópios compostos são bons para para todas as situações.


 

Que tamanho de telescópio eu devo ter?

A capacidade de um telescópio captar luz está diretamente relacionada ao tamanho ou diâmetro (abertura) da objetiva ou do espelho primário. Geralmente, quanto maior a lente ou o espelho, mais luz o telescópio capta e traz para o foco e mais brilhante fica a imagem final. A abertura provavelmente é a coisa mais importante a se considerar na hora de comprar um telescópio, mas não é a única. O ideal é comprar a maior abertura que você puder, mas evitando essa loucura desenfreada pelas aberturas amplas. Mas também há outros fatores que devem ser levados em consideração: tamanho, peso, espaço para armazenar, portabilidade e condições do céu. Nem sempre o maior telescópio é o melhor para você!


 

Quão potente seu telescópio deve ser?

Esse talvez seja o ponto que mais engana os compradores de primeira viagem. A ampliação ou potência tem pouco ou nada a ver com o desempenho óptico do telescópio e não deve ser a principal coisa a se considerar. A capacidade que um telescópio tem de ampliar uma imagem depende da combinação das lentes utilizadas, normalmente uma objetiva ou espelho primário de grande distância focal em combinação com uma ocular de baixa distância focal. Conforme a ampliação de uma imagem aumenta, o campo de visão e o brilho da imagem diminuem. Como a ampliação pode ser atingida por quase qualquer tipo de telescópio com a simples troca de oculares, a abertura acaba sendo mais importante do que a ampliação. Além disso, a maioria dos objetos astronômicos é melhor visualizada com baixa ampliação para que possa captar a maior quantidade possível de luz.


 

Que tipo de telescópio seria bom para uma criança?

Antes de comprar um telescópio para seu filho, leve-o para observar o céu um pouquinho. Deixe-o aprender o básico sobre o céu e a identificar as constelações em cada estação do ano.

Estes aqui são telescópios bons para crianças:

Finalmente, lembre-se de que o primeiro telescópio de uma criança não vai ser o mesmo que ela vai usar pelo resto da vida. Escolha um que ela possa usar sozinha e se divertir; depois, ela pode migrar para outro modelo, mais avançado.


 

Vivo em uma cidade bastante iluminada. Mesmo assim é possível observar o céu?

Sim, ainda assim, você pode ter uma boa visão da Lua e dos planetas em um parque da cidade. Tente posicionar seu telescópio para que as árvores e os prédios possam bloquear a maior parte da luz. Você também pode comprar um filtro de poluição luminosa para bloquear os comprimentos de onda da luz emitida pela iluminação pública.


 

Consigo praticar ciência de verdade com meu telescópio?

Claro que sim! Vários astrônomos amadores contribuem para a ciência da astronomia. A verdade é que os amadores têm muito mais tempo para gastar nos "pequenos detalhes" do que os profissionais. E mais, o preço de telescópios com abertura grande tem caído tanto nos últimos anos que alguns amadores chegam a ter equipamentos iguais aos dos astrônomos profissionais. Os amadores podem contribuir de muitas formas, como na observação de estrelas variáveis, na contagem de meteoros e na caçada aos cometas.



 

Fonte: Informações retiradas do artigo - Como Funcionam os telescópios, por Craig C. Freudenrich, Ph.D. - traduzido por HowStuffWorks Brasil